Rua Fidalga, 593
Vila Madalena – SP
Tel. 11 3032 9003
patria@patria.ppg.br

Da mandinga à moda

Post Pic

     Duas voltas no pulso, três nózinhos (um para cada pedido, sempre sigiloso) e paciência para esperar com que o paninho se rompa... Há muito o ritual envolvendo as famosas fitinhas de Nosso Senhor do Bonfim é conhecido pelo brasileiro – e, nos últimos anos, até por estrangeiros, já que ficou frequente o uso das fitinhas em mecas da moda como Londres, Paris e Nova York, onde são chamadas "brazilets".
     Em Salvador, porém, as fitinhas já transcendem os pulsos dos fiéis – ou não – do poderoso santo protetor dos baianos (sincretizado com Oxalá, o mais poderoso dos orixás, no candomblé). As fitinhas viraram ornamento de cabelo, sobretudo como parte de tranças e aparecem como faixas de chapéu. Também podem ser vistas como pulseiras psicodélicas, daquelas que ocupam todo o braço, uma junta da outra, e surgem, no Mercado Modelo e em lojas de artesanato, em estampas de bolsas, vestidos, camisetas, biquínis e toalhas de praia.
     Além disso, aparecem como elementos de decoração, dentro de vasos transparentes ou em relevos ornamentais em paredes e painéis, por exemplo. Até em sua serventia original, como suporte para medalhinhas, para pendurar no pescoço, o adereço tem sido notado.

De Gisele a Stéphanie

     A popularização do amuletos pode ser constatada na fábrica de onde saem estimados
90% das famosas fitas, a Fita Têxtil, em Sumaré, no interior paulista. A unidade chega a produzir
5 milhões de unidades por mês, em épocas mais concorridas – coincidentes com eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas. Mais do que o dobro do que vendia há cinco anos, 2 milhões
de fitinhas mensais. E toda uma nova gama de produtos se abre no com a crescente aceitação do amuleto.
     O joalheiro baiano Carlos Rodeiro, conhecido por adaptar elementos da religiosidade de seu Estado natal a suas peças, por exemplo, tem em sua coleção uma pulseira de ouro com brilhantes que remete à fitinha. Gisele Bündchen e a princesa Stéphanie de Mônaco foram algumas que adquiriram a peça. A brasileira, na versão ouro branco. A princesa, na de ouro amarelo.
Não devem, porém, ter feito pedidos – ou alguém imagina que elas estão esperando que a peça, que sai por a partir de R$ 6 mil, se desfaça?

Voltar

Todos os direitos reservados 2011.