Rua Fidalga, 593
Vila Madalena – SP
Tel. 11 3032 9003
patria@patria.ppg.br

Livros de bolso X tablets

Post Pic

     Antigamente, livro pesado era um desafio para o leitor, que tinha de cruzar suas centenas de páginas até o desfecho. Por outro lado, era também uma "prova" de intelectualidade, o que levava muitos leitores a andarem orgulhosamente com seus "tijolaços" pelas ruas. Até já existia o livro de bolso, mas bastava ver alguém com um deles para ter certeza que a obra não valia o papel em que estava impressa – e olha que o papel já era de quinta.

Conteúdo e forma

     Isso começou a mudar em 1997, com a editora L&PM, que passou a editar livros de bolso de qualidade – na forma e no conteúdo. Os sócios da LP&M, Ivan Pinheiro Machado e Paulo de Almeida Lima, decidiram começar com a combinação de 12 títulos de William Shakespeare, Fernando Pessoa, Edgar Allan Poe e Charles Bukowski. "Ouvimos que livros de bolso não davam certo no país. Testamos o mercado e alinhamos o produto até conquistar mais vendas", explica Pinheiro Machado.
     Os titulos bem escolhidos e a qualidade gráfica foram, aos poucos, conquistando a clientela
e acabando com o preconceito de livreiros e formadores de opinião. Hoje, são vendidos mais de 2 milhões de livros de bolso e as vendas crescem 10% anualmente. Além dos mil títulos da líder L&PM, a Companhia das Letras já conta com mais de 150 títulos e a Martins Fontes, com 300.

Além das livrarias

     Outro grande segredo desse sucesso foi o investimento em logística. Os livros gaúchos, por exemplo, são encontrados até mesmo em lugares mais remotos do Pará e do Amazonas. E não estão mais só em livrarias, mas também em lojas de conveniência e até supermercados. Segundo Pinheiro Machado, a logística é não apenas um, mas sim o principal fator para o alto volume das vendas: "Acreditamos que 60% do volume deve-se ao fato de a distribuição ser perfeita.
Os outros 40% decorrem da efetiva escolha das obras", diz Pinheiro Machado.
     Para incrementar seus números, as editoras têm investido também em e-books. Mas estes ainda estão longe de se mostrar uma tendência, já que os tablets ainda têm pouca penetração no Brasil. Fora isso, ainda há outras incógnitas que o mercado considera: o formado de bolso já não resolve para muitos leitores a questão da portabilidade que praticamente define os tablets? Ler num tablet é seguro no avião, mas e no metrô? Por fim, mais uma incógnita... E eis a questão: como o pessoal em volta vai notar que você está lendo Shakespeare?

Voltar

Todos os direitos reservados 2011.