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O velho "caderninho" supera os cartões

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     O caderninho da mercearia, em alguns lugares conhecido apenas como "a caderneta", em
que as compras da família são anotadas e o pagamento é feito no final do mês, não só ainda existe como também concorre com os modernos cartões de débito e crédito. O segredo da sobrevivência dessa velha prática é a confiança entre comerciantes e fregueses, algo que só
é possível naqueles lugares onde todo mundo se conhece. Em Belém, por exemplo, essa ainda é uma forma de venda muito utilizada.
     "Eu vendo muito mais no caderno. Tenho freguês antigo que prefere assim. Até porque pode pagar em trinta, sessenta e até noventa dias', diz o comerciante Eduardo Oliveira do Rosário, que adotou o sistema quando abriu seu negócio, o Mercantil Escrava Anastácia, há 15 anos, no bairro do Coqueiro. Atualmente, pelo menos 35 clientes são fiéis ao caderninho que registra a aquisição de alimentos, materiais de limpeza, artigos de armarinho e papelaria.

Na base da confiança

     O bom humor do comerciante pode explicar o sucesso do recurso, em detrimento do risco.
Em 15 anos ele conta que sofreu poucos calotes, mas um deles foi bem alto. "Tive um cliente que ficou me devendo por quase um ano e, como ele dizia que estava com problemas financeiros, eu ficava com pena e deixava. Um dia, quando a conta chegou a dois mil reais, me dei conta que já estava demais", revela.
     O caso demonstra que essa prática tem uma peculiaridade para ser interessante tanto para
o mercadinho como para o consumidor: tem que haver pela confiança mútua. Talvez por isso conviva passivamente com outras formas de pagamento como os cartões de débito e crédito,
por exemplo, principalmente na periferia da cidade ou em conjuntos habitacionais, onde todo mundo se conhece. "Aqui a gente vende pra vizinhos, todos são conhecidos e moram por perto.
Não vendo para gente de fora do conjunto", reforça o comerciante. Apesar de tudo, aquele "calote" chegou a fazer ele pensar em desistir da prática, mas mudou de ideia por causa da clientela antiga.

Crédito sem limite

     Os clientes comemoram mais essa opção de pagamento. A comerciária Maria Jacy da Silva, 73, conta que compra no caderninho desde que se mudou para o conjunto habitacional. Para ela a vantagem é a praticidade. Como a maioria dos moradores trabalha no centro da cidade, passa o dia fora e, se há alguma necessidade, basta correr no mercadinho."Trabalho o dia todo e, devido a distância, quando preciso de alguma coisa só ligo e mandam deixar em casa. É mais prático porque posso pagar no final do mês", avalia.
     Para a diarista Joana Carvalho, 55 anos, o principal atrativo em usar o caderninho é não utilizar o limite do cartão de crédito. "Como não tenho carteira assinada, meu limite do cartão
de crédito é baixo. Assim, posso comprar sem usá-lo", comenta.
     Mesmo com a prática dando certo, há três anos o comerciante conta que se rendeu aos cartões de crédito, que o assediavam há tempos. "É mais uma opção pra venda, mas aqui o forte mesmo é o caderno", diz Rosário.

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